sexta-feira, 7 de junho de 2013

Incrédulos e o Pacto



Rev. Ronald Hanko



Uma objeção dos Batistas ao batismo infantil é que alguns que não são e nunca serão salvos são batizados. Eles constantemente recordam àqueles que praticam o batismo infantil que ao batizar infantes, estão batizando pessoas que não se arrependeram e não professaram a fé. Para os Batistas isso parece totalmente arbitrário.

Ao responder a essa objeção, apontaremos que é impossível, quer nas igrejas Batistas ou Reformadas, batizar somente pessoas salvas. Porque os segredos do coração são desconhecidos para nós, mesmo as igrejas Batistas podem batizar aqueles que meramente fizeram uma profissão (confissão) de fé e arrependimento.

Quando temos apontado isso para vários amigos e conhecidos Batistas, a resposta deles tem sido geralmente: “Mas nós batizamos menos pessoas não- salvas do que vocês”. A verdade é que, se um Batista batizar ao menos uma pessoa não-salva, ele não está mais praticando o “batismo de crentes”, mas algo que pode ser chamado de “batismo de professos”.

Mais importante, contudo, é o fato que na Escritura tanto circuncisão como batismo são deliberadamente aplicados aos incrédulos. Abraão circuncidou Ismael após ser informado que Ismael não tinha nenhuma parte no pacto (Gn. 17:18, 19), e Isaque circuncidou Esaú após saber que este era réprobo (Gn. 25:23, 24).

O Batista argumenta nesse ponto que a circuncisão era somente uma marca de identidade nacional. Isso simplesmente não é verdade, contudo, à luz do que a Escritura diz sobre circuncisão. Ela sempre foi um sinal de despojar-se “do corpo dos pecados da carne pela circuncisão [morte] de Cristo” (Cl. 2:11; ver também Dt. 10:16; Dt. 30:6; Jr. 4:4).

O mesmo é verdade do batismo. O batismo no Mar Vermelho (identificado como um batismo em 1Co. 10:1, 22) foi aplicado por Deus a muitos de quem “Deus não se agradou” e que subseqüentemente foram destruídos por Satanás (vv. 5-10). Cão também foi “batizado” (1Pe. 3:20, 21) com o restante da família de Noé.

A única questão, então, é esta: “Por que Deus se agradou em ter o sinal do pacto e da salvação, tanto no Antigo como no Novo Testamento, aplicado tanto aos não-salvos como aos salvos?”. Se eles são adultos ou crianças não faz diferença. Mesmo o Batista deve responder essa pergunta.

A resposta a essa pergunta reside no propósito eterno de Deus. Somente alguém que creia firmemente que Deus ordenou eternamente todas as coisas, incluindo a salvação de alguns e não de outros, pode dar uma resposta clara e inequívoca.

A resposta deve ser que a circuncisão no Antigo Testamento e o batismo no Novo, bem como a pregação do evangelho, é um poder e testemunho tanto para a salvação como para o endurecimento e condenação, e fazem isso de acordo com o propósito de Deus (2Co. 2:14-16). Portanto, batizamos infantes e adultos, entendendo que Deus usará isso para a salvação de alguns e para a condenação de outros, de acordo com o seu propósito, como no caso de Ismael, Esaú e Cão.







Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1
Fonte: Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association, p. 261-62.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O Modo do Batismo



Rev. Ronald Hanko



Ao falar do modo do batismo, não desejamos antagonizar ninguém ou promover divisão dentro da igreja de Cristo. É nosso profundo desejo ver unidade nessas questões, especialmente com aqueles que de outra forma concordam conosco.

Contudo, freqüentemente ouvimos que não há base bíblica para aspergir infantes e que tal prática é simplesmente uma influência do Catolicismo Romano. De fato, há vários livros anti-Calvinistas no mercado que simplesmente assumem que se uma igreja batiza infantes, ela deve estar errada em outras questões também.

Até onde diz respeito o modo do batismo, não somente cremos que há uma base bíblica e sólida para a prática da aspersão, mas também que esse é o único modo de batismo reconhecido pela Escritura. Olhemos para a questão mais detidamente.

Quanto à acusação que a aspersão é simplesmente uma influência do Romanismo, apontaríamos que isso não é argumento de forma alguma. Se tudo o que Roma ensina deve ser descartado no Protestantismo, até mesmo a doutrina da Trindade deve ser abandonada! Além do mais, a liturgia Romana para o batismo das crianças diz em suas instruções para as pessoas que estão realizando o batismo, “Ele imerge a criança ou derrama água sobre a sua cabeça”. Roma também pratica a imersão! Portanto, o assim chamado argumento sobre o Romanismo pode ser descartado.

Quanto ao fundamento bíblico para aspersão ou infusão,2 a evidência, parece-me, é inequívoca. Apontaremos os seguintes fatos:

Todos os batismos cerimoniais do Antigo Testamento foram realizados por aspersão ou infusão. Que esses foram batismos reais é claro a partir de Hebreus 9:10, onde a palavra grega do NT baptismos é usada, mas traduzida nas versões ACF, ARA e ARC como “abluções” (veja também vv. 13, 19, 21).

O batismo do Espírito Santo, simbolizado pelo batismo com água, é sempre descrito na Escritura em termos de aspersão ou infusão (Is. 44:3; Ez. 36:25; Joel 2:28, 29; Ml. 3:10; Atos 2:17, 18; Atos 10:44, 45).

Da mesma forma, a aplicação do sangue de Cristo em nós, simbolizada pela água do batismo, é sempre descrita na Escritura como sendo aspergida (Is. 52:15; Hb. 10:22; Hb. 12:24; 1Pe. 1:2).

Os grandes batismos tipológicos do Antigo Testamento, chamados de batismos no Novo Testamento (1Co. 10:2; 1Pe. 3:20, 21), não foram por imersão. De fato, os únicos que foram imersos nesses batismos tipológicos foram Faraó e o seu exército, e o mundo ímpio dos dias de Noé. Assim, também, o ímpio será imerso no lago de fogo. A imersão é uma figura, cremos, de julgamento, e não de salvação.
Fonte: Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association, p. 262-63.




Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1
Fonte: Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Batismo de Família



Rev. Ronald Hanko



Preferimos descrever o batismo como batismo de “família” ou “casa”, e não como batismo “infantil”.

Primeiro, ninguém batiza somente infantes. Aqueles que se converteram mais tarde na vida, e nunca foram antes batizados, são batizados como adultos, mesmo em igrejas que batizam infantes.

Segundo, o batismo de família ou casa é o tipo de batismo que a Escritura descreve quando falando daqueles que devem ser batizados.

Terceiro, “batismo de família” serve como um lembrete de como e porquê passagens tais como Atos 16 são prova para a prática de batizar infantes, bem como adultos.

É muito claro que a Escritura fala de batismo de família. Em Atos 16 as casas de Lídia e do carcereiro de Filipo foram batizadas por Paulo (vv. 15, 33). Paulo fala em 1 Coríntios 1:16 de ter batizado a casa de Estéfanas. Lemos em Atos 10:48 do batismo da casa de Cornélio por Pedro. Esse, então, é o padrão do Novo Testamento para o batismo.

Portanto, essas passagens são usadas para apoiar a prática de batizar os filhos de crentes. (Sem dúvida, é verdade que não sabemos se existiam crianças pequenas nessas casas, mas é improvável que não houvesse nenhum infante nessas quatro famílias). Todavia, se o batismo de família ou casa é o padrão lançado na Escritura, é impossível praticar o mesmo sem batizar os infantes, visto que a maioria das casas os inclui.

Adicionaríamos que, se o “batismo de crentes” somente é a regra da Escritura, como os Batistas ensinam, o batismo de família ou casa se torna uma impossibilidade. Mesmo que aconteça de diferentes membros da mesma família se converter e serem batizados ao mesmo tempo numa igreja Batista, eles ainda não serão batizados como membros de uma casa ou família, mas como indivíduos, cada qual como resultado de sua profissão de fé.

O batismo de casas e famílias segue da crença no pacto familiar de Deus: que ele soberana, graciosa e imutavelmente promete a salvação às famílias e casas, prometendo ser o Deus dos crentes e dos seus filhos (Gn. 17:7; Atos 2:39).

A prática, contudo, não significa que se presume que cada membro de uma casa seja necessariamente salvo. Mas o batismo mesmo daqueles que professam a fé como adultos nunca pode ser uma garantia, também. Nunca o batismo prova ou diz que a pessoa batizada está certamente salva.
A prática de batizar famílias ou casas, seguindo o claro exemplo da própria Escritura, é um memorial ao fato que Deus mesmo é uma família – Pai, Filho e Espírito Santo – e que ele magnifica sua graça e revela a si mesmo enviando salvação a famílias. Ele é, deveras, o Deus das famílias (Sl. 107:41).




Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1
Fonte: Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association, p. 261-62.